Não haverá um Estado da Palestina

O tema que ganhou atenção principal nesta 66ª Assembleia-Geral da ONU foi o pedido de reconhecimento pela Palestina como Estado pleno, tendo inclusive o apoio do governo brasileiro – que, coerentemente, não esconde sua simpatia para com diferentes regimes tirânicos (parceiros ideológicos) pelo mundo afora.

A presidente Dilma Rousseff mostrou, mais uma vez, a contradição da política externa do seu governo ao iniciar seu discurso defendendo a liberdade e a democracia, exaltando o direito das mulheres à igualdade de condições, mas logo depois apoiar a pretensão da criação de um país que tolera o terrorismo e onde as mulheres são tratadas com inferioridade e exclusão.

O fato é que o assunto, sem nenhuma chance de ser aprovado no Conselho de Segurança da ONU, tem como principal objetivo: desviar a atenção do mundo, hoje voltada para as revoltas populares por liberdade e democracia no mundo árabe. Sabendo que essa proposta de independência unilateral não será aceita, ditadores do Oriente Médio (Irã, Síria, entre outros) pretendem - mais uma vez - culpar Israel e a “dominação judaico-cristã ocidental” por todos os problemas do mundo e, assim, sufocar os protestos em seus países e perpetuar seus regimes.

A Palestina, como Estado independente, não tem condições de existir. Está dividida em duas regiões distantes, sem nenhuma ligação por terra, com governos diferentes e inimigos entre si: a Cisjordânia, governada pelo Fatah de Mahmud Abbas, e a Faixa de Gaza, controlada pelo radical Hamas - grupo terrorista que prega a destruição de Israel.

Nem mesmo jamais existiu um “povo palestino” enquanto identidade nacional. A Palestina, como nação, surgiu da tentativa de impedir a criação do Estado de Israel, que foi invadido pelos países vizinhos árabes logo após seu reconhecimento na Assembleia-Geral da ONU, em 1948. Tanto é assim, que os próprios vizinhos árabes (como o Egito), que incentivam a luta palestina contra Israel, não permitem a entrada de refugiados dos territórios palestinos em seus países.

Apesar de receber vultosas contribuições financeiras, inclusive dos EUA, a Palestina depende de Israel até mesmo para a obtenção dos recursos mais básicos de sobrevivência, como água potável, recolhimento de lixo, alimentos, saúde pública etc.

Então ficam as perguntas:

- Como reconhecer a soberania de um país que não tem as mínimas condições materiais de se manter sozinho e que não garante as condições mínimas de sobrevivência para sua população, que boa parte precisa sair diariamente para trabalhar em Israel?

- Por que Israel deve ser obrigado a sustentar – econômica e estruturalmente – um país independente inimigo, reconhecendo a sua soberania, enquanto este ameaça a segurança de Israel com atentados terroristas em escolas e lanchonetes e com lançamentos de foguetes a povoados israelenses?

A tendência é de que o pedido de reconhecimento, caso mantido, seja aprovado pela maioria dos países presentes à Assembleia-Geral da ONU, mas vetado no seu Conselho de Segurança, pois apenas através do diálogo e do entendimento será possível chegar à tão desejada paz no Oriente Médio.

Ambos os povos - israelense e palestino - devem aprender a conviver juntos e alcançar a paz através do diálogo e do mútuo respeito e reconhecimento, e não por decisão unilateral ou imposição externa.