Praias gaúchas têm água medicinal

Neste final de semana estive em Imbé, litoral norte do Rio Grande do Sul, para passar o Dia dos Pais. Foi quando encontrei um casal conversando. Falavam sobre as praias gaúchas, que consideram “sujas” por conta da água turva, frequentemente com uma espuma marrom – que muitos chamam de “chocolate” – e um odor bem característico, semelhante ao de peixe morto.

O que a grande maioria das pessoas não sabe é que isso, ao contrário de ser um defeito, é exatamente a maior vantagem das praias gaúchas em relação às demais, pois o que provoca a mudança de cor e o forte cheiro é a presença de níveis elevados de IODO, devido principalmente à flora aquática formada por determinadas espécies de algas marinhas.

Para quem não sabe, iodo é aquela substância preta que compramos na farmácia para fazer assepsia de ferimentos. Com alto poder bactericida e cicatrizante, o iodo é um excelente remédio para prevenir e curar diversos problemas de pele – como fungos e frieiras, entre tantos outros. Também é usado para prevenir problemas na Tireoide, e por este motivo é adicionado ao sal de cozinha (sal iodado).

Se o governo gaúcho e as prefeituras do litoral do estado, através de suas secretarias de turismo, realizassem campanhas de esclarecimento sobre a questão, certamente não haveria tamanha desinformação que afasta muitos turistas da região – quase sempre para outras praias de águas mais claras e, ainda assim, poluídas.

Vale lembrar que água transparente nem sempre é sinal de ausência de poluição. Em alguns casos, é exatamente o contrário.

Portanto, se tu estás lendo este texto, agora já sabes que as praias gaúchas não são sujas, mas sim medicinais. Então, gurias, quando visitarem o litoral do Rio Grande do Sul, lembrem-se de carregar aquela garrafinha pet do refrigerante e guardar um pouco da água do mar, que é um santo remédio para a sua pele.